sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Think different (Apple)

“Isto é para os loucos. Os desajustados. 
Os rebeldes. Os encrenqueiros. 
Os pinos redondos em buracos quadrados. 
Os que enxergam as coisas de um jeito diferente. 
Eles não gostam muito de regras. Eles não respeitam o status quo.

Pode-se citá-los, discordar deles, exaltá-los ou difamá-los. 
A única coisa que não se pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. 
Eles empurram a raça humana para a frente.

E, enquanto alguns os julgam loucos, nós os julgamos gênios. 
Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo... são as que mudam.”

sábado, 17 de setembro de 2011

Do Caminho

Do blog do Paulo Coelho no G1
http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/


A tradição oral listou os dez passos do Caminho espiritual:


A inquietação: a pessoa percebe que precisa mudar de vida, seja por tédio seja por sofrimento.


A busca: vem a decisão da mudança. A busca se dá com livros, cursos, encontros.


A decepção: começam as trocas de caminho. Aquele que está buscando percebe os problemas e defeitos dos que ensinam. Por mais que mude de corrente filosófica, religião, ou sociedade secreta, encontra os problemas clássicos: vaidade e busca de poder.


A negação: é comum abandonar o caminho depois de constatar que os que estão nele ainda não resolveram seus problemas.


A angústia: o caminho foi abandonado, mas uma semente foi plantada: a fé. E cresce dia e noite. A pessoa sente-se desconfortável, com a sensação de que descobriu e perdeu.


O retorno: por causa de outra ruptura séria – uma tragédia, um êxtase, etc.- a pessoa descobre que sua Fé está viva. E a fé, se for bem cultivada, resiste a qualquer decepção.


O mestre: o momento mais perigoso. Mestre são apenas pessoas experientes. O caminho é individual, mas – neste momento – pode desvirtuar-se, e virar coletivo.


Os sinais: o caminho se mostra por si mesmo. Através dos sinais, Deus lhe ensina o que precisa saber.


A noite escura: são feitas as Escolhas. A pessoa muda sua vida, e dá seus passos – apesar do medo.


A comunhão: é o momento em que, como dizia São Paulo, a própria Divindade passa a habitar a pessoa. O mistério dos milagres se manifesta em toda maravilha e grandeza.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O crime como categoria política

Do blog do Reinaldo Azevedo

Os petistas dizem se preocupar tanto com a desigualdade social não por humanismo ou por senso de justiça, mas porque ela oferece um excelente pretexto para o estado autoritário e confere certo sentido moral às ilegalidades praticadas para a construção da hegemonia partidária. As misérias humanas — e a conseqüente necessidade de criar o novo homem são o fundamento dos dois grandes totalitarismos do século passado: fascismo e comunismo. Ambos têm mais em comum do que gostam de admitir fascistas e comunistas.
Não existe regime de força que não tenha se instalado prometendo promover o bem comum. Aliás, as tiranias precisam esvaziar os indivíduos de todas as suas verdades e necessidades “egoístas” em nome da coletividade, que será representada por um partido ou por um condutor das massas em certos casos, por ambos.
Todos nos fartamos do discurso de Luiz Inácio Apedeuta da Silva, que se apresentou como o “pai” do povo, saindo, como anunciava a propaganda eleitoral petista, para deixar em seu lugar a “mãe de todos os brasileiros”. Ditadores e candidatos a tiranos gostam da idéia de que são chefes de uma grande família, da qual esperam uma ativa e entusiasmada obediência. Afinal, “eles” sabem o que é melhor para “nós”, mergulhados que estamos em nosso egoísmo, comprometidos com uma visão parcial de mundo, sem entender, muitas vezes, as decisões que são tomadas para nos salvar… Quem de nós nunca discordou, afinal, a seu tempo, de uma decisão do pai ou da mãe? Impossível, no entanto, supor que agissem para nos prejudicar. Tampouco imaginávamos tomar para nós o lugar da autoridade. Pais e filhos não são e nem devem ser uma comunidade democrática, certo?
O PT se consolidou com a fantasia de que um partido e, dentro desse partido, um homem, o pai seria o porta-voz dos excluídos, que, afinal, estariam reivindicando a sua cidadania. De modo emblemático, Lula passou várias antevésperas de Natal em companhia dos catadores de papelão, tornados “cidadãos-recicladores”. Estava anunciando, diante de uma imprensa freqüentemente basbaque, que excluídos também são cidadãos, ainda que dentro de sua exclusão. Um líder e um partido, ungidos pela necessidade de “mudar o Brasil”, podem atropelar leis, moralidade, costumes, valores, tudo… Estão imbuídos de uma missão.
Apurem bem os ouvidos. Ouve-se já certo sussurro. Talvez se torne um alarido. Mas o que é isso? O que será que será que andam suspirando pelas alcovas e sussurrando em versos e trovas? O que será, que será que andam combinando no breu das tocas, que andam acendendo velas nos becos e já estão falando alto pelos botecos? O que será, que será que não tem conserto nem nunca terá? O que não tem tamanho… Cito este plágio que Chico Buarque fez de Cecília Meireles (Romanceiro da Inconfidência) para emprestar, assim, certa grandeza poético-dramática a mais uma conspiração dos petistas contra a moralidade, o dinheiro público, a decência e tudo o mais que vocês julgarem adequado a homens de bem.
Lula já fez saber ao mercado político que ele não concorda com a “execução sumária” dos patriotas do PR. E fez chegar a sua avaliação na forma de uma “preocupação”. Estaria temendo o isolamento de Dilma Rousseff. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, afirmou ontem que vai avaliar se há motivos suficientes para a Polícia Federal abrir um inquérito para apurar as sem-vergonhices no Ministério dos Transportes. Já foram demitidas 16 pessoas da cúpula da pasta e do Dnit, mas ele está cheio de dúvidas. Tarso Genro (PT), atual governador do Rio Grande do Sul e chefe da Polícia Federal (era ministro da Justiça) quando se deu boa parte da bandalheira, saiu ontem em defesa de seu amigo Hideraldo Caron, um dos chefões do Dnit, mantido até agora no cargo. Ele é petista. Tarso deixou claro: se o homem fez algo de errado, não foi em benefício pessoal.
É a primeira vez que se ouve voz assim no PT? Claro que não! Nem é necessário remontar ao mensalão. Durante a crise que colheu Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, hoje sua sucessora, mas senadora à época (PT-PR), deixou claro que não conseguia defender o então ministro por uma razão simples: ele tinha agido apenas em defesa do próprio interesse. Ou seja: no caso do mensalão ou dos saloprados, crimes foram cometidos em benefício do… partido! Nesse caso, tudo bem…
Setores do PT estão pedindo, em suma, que tudo fique como está. Seu esforço em favor da impunidade, no entanto, teria, sim, uma raiz ética, entendem? Insistir na investigação pode prejudicar o partido, a convivência com os aliados, a agenda que o governo tem pela frente, incluindo, obviamente, os pacotes sociais destinados a combater a miséria. Tarso chegou a indagar por que essas notícias só apareceram agora… Conhecedor da arte de desestabilizar governos (como experimentou Yeda Crusius), ele conspira em favor da impunidade ao sugerir que há uma conspiração contra os patriotas do Ministério dos Transportes…
Foi-se o tempo “esse-dinheiro-não-é-meu”, de Paulo Maluf! Mesmo para ele, o errado era “errado” e, por isso, negava tudo. Não há nada a favor desse emblemático político a não ser uma coisinha: nunca tentou chamar crimes de virtudes negando, claro!, que os tivesse cometido. Com o petismo, é diferente: o roubo e a lambança em nome da causa têm um propósito superior. Fazer sacanagem para enriquecer é reprovável; para construir o partido, bem, aí é não só aceitável como pode distinguir o militante com uma medalha de “Honra ao Mérito”.
À medida que a lei é afrontada com tal vigor e que o malfeito vira um instrumento corriqueiro da ação política, os brasileiros têm expropriada a sua cidadania. Se para eles, todo excluído é cidadão, que mal há em considerar todo cidadão um excluído?
Por Reinaldo Azevedo

Por que o brasileiro não se indigna e não vai à praça protestar contra a corrupção? Ensaio uma resposta antes de alguns dias de folga

Juan Arias, correspondente do jornal espanhol El País no Brasil, escreveu no dia 7 um artigo indagando onde estão os indignados do Brasil. Por que não ocupam as praças para protestar contra a corrupção e os desmandos? Não saberiam os brasileiros reagir à hipocrisia e à falta de ética dos políticos? Será mesmo este um país cujo povo tem uma índole de tal sorte pacífica que se contentaria com tão pouco? Publiquei, posts abaixo, a íntegra de seu texto. Afirmei que ensaiaria uma resposta, até porque a indagação de Arias, um excelente jornalista, é procedente e toca, entendo, numa questão essencial dos dias que correm. A resposta não é simples nem linear. Há vários fatores distintos que se conjugam. Vamos lá.
Povo privatizado
O “povo” não está nas ruas, meu caro Juan, porque foi privatizado pelo PT. Note que recorro àquele expediente detestável de pôr aspas na palavra “povo” para indicar que o sentido não é bem o usual, o corriqueiro, aquele de dicionário. Até porque este escriba não acredita no “povo” como ente de valor abstrato, que se materializa na massa na rua. Eu acredito em “povos” dentro de um povo, em correntes de opinião, em militância, em grupos organizados — e pouco importa se o que os mobiliza é o Facebook, o Twitter, o megafone ou o sino de uma igreja. Não existe movimento popular espontâneo. Essa é uma das tolices da esquerda de matriz anarquista, que o bolchevismo e o fascismo se encarregaram de desmoralizar a seu tempo. O “povo na rua” será sempre o “povo na rua mobilizado por alguém”. Numa anotação à margem: é isso o que me faz ver com reserva crítica — o que não quer dizer necessariamente “desagrado” — a dita “Primavera Árabe”. Alguém convoca os “povos”.
No Brasil, as esquerdas, os petistas em particular, desde a redemocratização, têm uma espécie de monopólio da praça. Disse Castro Alves: “A praça é do povo como o céu é do condor”. Disse Caetano Veloso: “A praça é do povo como o céu é do avião” (era um otimista; acreditava na modernização do Bananão). Disse Lula: “A praça é do povo como o povo é do PT”. Sim, responderei ao longo do texto por que os não-petistas não vão às ruas quase nunca. Um minutinho. Seguindo.
O “povo” não está nas ruas, meu caro Juan Arias, porque o PT compra, por exemplo, o MST com o dinheiro que repassa a suas entidades não exatamente para fazer reforma agrária, mas para manter ativo o próprio aparelho político — às vezes crítico ao governo, mas sempre unido numa disputa eleitoral. Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad, ministro da Educação e candidato in pectore do Apedeuta à Prefeitura de São Paulo, estarão neste 13 de julho no 52º Congresso da UNE. Os míticos estudantes não estão nas ruas porque empenhados em seus protestos a favor. Você tem ciência, meu caro Juan, de algum outro país do mundo em que se fazem protestos a favor do governo? Talvez na Espanha fascista que seus pais conheceram, felizmente vencida pela democracia. Certamente na Cuba comuno-fascistóide dos irmãos Castro e na tirania síria. E no Brasil. Por quê?
Porque a UNE é hoje uma repartição pública alimentada com milhões de reais pelo lulo-petismo. Foi comprada pelo governo por quase R$ 50 milhões. Nesse período, esses patriotas, meu caro Juan, se mobilizaram, por exemplo, contra o “Provão”, depois chamado de Enade, o exame que avalia a qualidade das universidades, mas não moveram um palha contra o esbulho que significa, NA FORMA COMO EXISTE, o ProUni, um programa que já transferiu bilhões às mantenedoras privadas de ensino, sem que exista a exigência da qualidade. Não se esqueça de que a UNE, durante o mensalão, foi uma das entidades que protestaram contra o que a canalha chamou “golpe da mídia”. Vale dizer: a entidade saiu em defesa de Delúbio Soares, de José Dirceu, de Marcos Valério e companhia. Um de seus ex-presidentes e então um dos líderes das manifestações que resultaram na queda de Fernando Collor é hoje senador pelo PT do Rio e defensor estridente dos malfeitos do PT. Apontá-los, segundo o agora conservador Lindbergh Farias, é coisa de conspiração da “elites”. Os antigos caras-pintadas têm hoje é a cara suja; os antigos caras-pintadas se converteram em verdadeiros caras-de-pau.
Centrais sindicais
O que alguns chamam “povo”, Juan, chegaram, sim, a protestar em passado nem tão distante, no governo FHC. Lá estava, por exemplo, a sempre vigilante CUT. Foi à rua contra o Plano Real. E o Plano Real era uma coisa boa. Foi à rua contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. E a Lei de Responsabilidade Fiscal era uma coisa boa. Foi à rua contra as privatizações. E as privatizações eram uma coisa boa. Saiba, Juan, que o PT votou contra até o Fundef, que era um fundo que destinava mais recursos ao ensino fundamental. E onde estão hoje a CUT e as demais centrais sindicais?
Penduradas no poder. Boa parte dos quadros dos governos Lula e Dilma vem do sindicalismo — inclusive o ministro que é âncora dupla da atual gestão: Paulo Bernardo (Comunicações), casado com Gleisi Hoffmann (Casa Civil). O indecoroso Imposto Sindical, cobrado compulsoriamente dos trabalhadores, sejam sindicalizados ou não, alimenta as entidades sindicais e as centrais, que não são obrigadas a prestar contas dos milhões que recebem por ano. Lula vetou o expediente legal que as obrigava a submeter esses gastos ao Tribunal de Contas da União. Os valentes afirmaram, e o Apedeuta concordou, que isso feria a autonomia das entidades, que não se lembraram, no entanto, de serem autônomas na hora de receber dinheiro de um imposto.
Há um pouco mais, Juan. Nas centrais, especialmente na CUT, os sindicatos dos empregados das estatais têm um peso fundamental, e eles são hoje os donos e gestores dos bilionários fundos de pensão manipulados pelo governo para encabrestar o capital privado ou se associar a ele — sempre depende do grau de rebeldia ou de “bonomia”do empresariado.
O MST, A UNE E OS SINDICATOS NÃO ESTÃO NAS RUAS CONTRA A CORRUPÇÃO, MEU CARO JUAN, PORQUE SÃO SÓCIOS MUITO BEM-REMUNERADOS DESSA CORRUPÇÃO. E fornecem, se necessário, a mão-de-obra para o serviço sujo em favor do governo e do PT. NÃO SE ESQUEÇA DE QUE A CÚPULA DOS ALOPRADOS PERTENCIA TODA ELA À CUT. Não se esqueça de que Delúbio Soares, o próprio, veio da… CUT!
Isso explica tudo? Ou: “Os Valores”
Ainda não!
Ao longo dos quase nove anos de poder petista, Juan, a sociedade brasileira ficou mais fraca, e o estado ficou mais forte; não foi ela que o tornou mais transparente; foi ele que a tornou mais opaca. Em vez de se aperfeiçoarem os mecanismos de controle desse estado, foi esse estado que encabrestou entidades da sociedade civil, engajando-as em sua pauta. Até a antes sempre vigilante Ordem dos Advogados do Brasil flerta freqüentemente com o mau direito — e o STF não menos — em nome do “progresso”. O petismo fez das agências reguladoras meras repartições partidárias, destruindo-lhes o caráter.
Enfraqueceram-se enormemente os fundamentos de uma sociedade aberta, democrática, plural. Em nome da diversidade, da igualdade e do pluralismo, busca-se liquidar o debate. A Marcha para Jesus, citada por você, à diferença do que querem muitos, é uma das poucas expressões do país plural que existe de fato, mas que parece não existir, por exemplo, na imprensa. À diferença do que pretendem muitos, os evangélicos são um fator de progresso do Brasil — se aceitarmos, então, que a diversidade é um valor a ser preservado.
Por que digo isso? Olhe para a sua Espanha, Juan, tão saudavelmente dividida, vá lá, entre “progressistas” e “conservadores” — para usar duas palavras bastante genéricas —, entre aqueles mais à esquerda e aqueles mais à direita, entre os que falam em nome de uma herança socialista e mais intervencionista, e os que se pronunciam em favor do liberalismo e do individualismo. Assim é, você há de convir, em todo o mundo democrático.
Veja que coisa, meu caro: você conhece alguma grande democracia do mundo que, à moda brasileira, só congregue partidos que falam uma linguagem de esquerda? Pouco importa, Juan, se sabem direito o que dizem e são ou não sinceros em sua convicção. O que é relevante é o fato de que, no fim das contas, todos convergem com uma mesma escolha: mais estado e menos indivíduo; mais controle e menos liberdade individual. Como pode, meu caro Juan, o principal partido de oposição no Brasil pensar, no fim das contas, que o problema do PT é de gestão, não de valores? Você consegue se lembrar, insisto, de alguma grande democracia do mundo em que a palavra “direita” virou sinônimo de palavrão? Nem na Espanha que superou décadas de franquismo.
Imprensa
Se você não conhece democracia como a nossa, Juan, sabe que, com as exceções que confirmam a regra, também não há imprensa como a nossa no mundo democrático no que concerne aos valores ideológicos. Vivemos sob uma quase ditadura de opinião. Não que ela deixe de noticiar os desmandos — dois ministros do governo Dilma caíram, é bom deixar claro, porque o jornalismo fez o seu trabalho. Mas lembre-se: nesta parte do texto, trato de valores.
Tome como exemplo o Código Florestal. Um dia você conte em seu jornal que o Brasil tem 851 milhões de hectares. Apenas 27% são ocupados pela agricultura e pela pecuária; 0,2% estão com as cidades e com as obras de infra-estrutura. A agricultura ocupa 59,8 milhões (7% do total); as terras indígenas, 107,6 milhões (12,6%). Que país construiu a agropecuária mais competitiva do mundo e abrigou 200 milhões de pessoas em apenas 27,2% de seu território, incluindo aí todas as obras de infra-estrutura? Tais números, no entanto — do IBGE, do Ibama, do Incra e da Funai — são omitidos dos leitores (e do mundo) em nome da causa!
A crítica na imprensa foi esmagada pelo engajamento; não se formam nem se alimentam valores de contestação ao statu quo — que hoje, ora veja!, é petista. Por quê? Porque a imprensa de viés realmente liberal é minoritária no Brasil. Dá-se enorme visibilidade aos movimentos de esquerdistas, mas se ignoram as manifestações em favor do estado de direito e da legalidade. Curiosamente, somos, sim, um dos países mais desiguais do mundo, que está se tornando especialista em formar líderes que lutam… contra a desigualdade. Entendeu a ironia?
Quem vai à rua?
Ora, Juan, quem vai, então, à rua? Os esquerdistas estão se fartando na lambança do governismo, e aqueles que não comungam de suas idéias e que lastimam a corrupção e os desmandos praticamente inexistem para a opinião pública. Quando se manifestam, são tratados como párias. Ou não é verdade que a imprensa trata com entusiasmo os milhões da parada gay, mas com evidente descaso a marcha dos evangélicos? A simples movimentação de algumas lideranças de um bairro de classe média para discutir a localização de uma estação de metro é tratada por boa parte da imprensa como um movimento contra o… “povo”.
As esquerdas dos chamados movimentos sociais estão, sim, engajadas, mas em defender o governo e seus malfeitos. Afirmam abertamente que tudo não passa de uma conspiração contra os movimentos populares. As esquerdas infiltradas na imprensa demonizam toda e qualquer reação de caráter legalista — ou que não comungue de seus valores ditos “progressistas” — como expressão não de um pensamento diferente, divergente, mas como manifestação de atraso.
Descrevi, meu caro Juan, o que vejo. Isso tem de ser necessariamente assim? Acho que não! A quem cabe, então, organizar a reação contra a passividade e a naturalização do escândalo, na qual se empenha hoje o PT? Essa indagação merecerá resposta num outro texto, que este já vai longe. Fica para depois do meu descanso.

Do seu colega brasileiro Reinaldo Azevedo.
Por Reinaldo Azevedo

Por que os brasileiros não reagem?

Juan Arias, O Globo
O fato de que em apenas seis meses de governo a presidente Dilma Rousseff tenha tido que afastar dois ministros importantes, herdados do gabinete de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (o da Casa Civil da Presidência, Antonio Palocci - uma espécie de primeiro-ministro - e o dos Transportes, Alfredo Nascimento), ambos caídos sob os escombros da corrupção política, tem feito sociólogos se perguntarem por que neste país, onde a impunidade dos políticos corruptos chegou a criar uma verdadeira cultura de que "todos são ladrões" e que "ninguém vai para a prisão", não existe o fenômeno, hoje em moda no mundo, do movimento dos indignados.

Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam? Não lhes importa que tantos políticos que os representam no governo, no Congresso, nos estados ou nos municípios sejam descarados salteadores do erário público?

É o que se perguntam não poucos analistas e blogueiros políticos.

Nem sequer os jovens, trabalhadores ou estudantes, manifestaram até agora a mínima reação ante a corrupção daqueles que os governam.

Curiosamente, a mais irritada diante do saque às arcas do Estado parece ser a presidente Rousseff, que tem mostrado publicamente seu desgosto pelo "descontrole" atual em áreas do seu governo e tirou literalmente - diz-se que a purga ainda não acabou - dois ministros-chave, com o agravante de que eram herdados do seu antecessor, o popular ex-presidente Lula, que teria pedido que os mantivesse no seu governo.

A imprensa brasileira sugere que Rousseff começou - e o preço que terá que pagar será elevado - a se desfazer de uma certa "herança maldita" de hábitos de corrupção que vêm do passado.

E as pessoas das ruas, por que não fazem eco ressuscitando também aqui o movimento dos indignados? Por que não se mobilizam as redes sociais?

O Brasil, que, motivado pela chamada marcha das Diretas Já (uma campanha política levada a cabo durante os anos 1984 e 1985, na qual se reivindicava o direito de eleger o presidente do país pelo voto direto), se lançou nas ruas contra a ditadura militar para pedir eleições, símbolo da democracia, e também o fez para obrigar o ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) a deixar a Presidência da República, por causa das acusações de corrupção que pesavam sobre ele, hoje está mudo ante a corrupção.

As únicas causas capazes de levar às ruas até dois milhões de pessoas são a dos homossexuais, a dos seguidores das igrejas evangélicas na celebração a Jesus e a dos que pedem a liberalização da maconha.

Será que os jovens, especialmente, não têm motivos para exigir um Brasil não só mais rico a cada dia ou, pelo menos, menos pobre, mais desenvolvido, com maior força internacional, mas também um Brasil menos corrupto em suas esferas políticas, mais justo, menos desigual, onde um vereador não ganhe até dez vezes mais que um professor e um deputado cem vezes mais, ou onde um cidadão comum depois de 30 anos de trabalho se aposente com 650 reais (300 euros) e um funcionário público com até 30 mil reais (13 mil euros).

O Brasil será em breve a sexta potência econômica do mundo, mas segue atrás na desigualdade social, na defesa dos direitos humanos, onde a mulher ainda não tem o direito de abortar, o desemprego das pessoas de cor é de até 20%, frente a 6% dos brancos, e a polícia é uma das que mais matam no mundo.

Há quem atribua a apatia dos jovens em ser protagonistas de uma renovação ética no país ao fato de que uma propaganda bem articulada os teria convencido de que o Brasil é hoje invejado por meio mundo, e o é em outros aspectos.

E que a retirada da pobreza de 30 milhões de cidadãos lhes teria feito acreditar que tudo vai bem, sem entender que um cidadão de classe média europeia equivale ainda hoje a um brasileiro rico.

Outros atribuem o fato à tese de que os brasileiros são gente pacífica, pouco dada aos protestos, que gostam de viver felizes com o muito ou o pouco que têm e que trabalham para viver em vez de viver para trabalhar.

Tudo isso também é certo, mas não explica que num mundo globalizado - onde hoje se conhece instantaneamente tudo o que ocorre no planeta, começando pelos movimentos de protesto de milhões de jovens que pedem democracia ou a acusam de estar degenerada - os brasileiros não lutem para que o país, além de enriquecer, seja também mais justo, menos corrupto, mais igualitário e menos violento em todos os níveis.

Este Brasil, com o qual os honestos sonham deixar como herança a seus filhos e que - também é certo - é ainda um país onde sua gente não perdeu o gosto de desfrutar o que possui, seria um lugar ainda melhor se surgisse um movimento de indignados capaz de limpá-lo das escórias de corrupção que abraçam hoje todas as esferas do poder.



Juan Arias é correspondente do El Pais no Brasil

terça-feira, 21 de setembro de 2010

RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA - Personalidades lançam manifesto em defesa da democracia, do estado de direito e da liberdade de imprensa

RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA - Personalidades lançam manifesto em defesa da democracia, do estado de direito e da liberdade de imprensa





Brasileiros das mais diversas áreas lançam nesta quarta, às 12h, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, um manifesto em defesa da democracia, do estado de direito, da liberdade de imprensa e dos direitos individuais. Trata-se de um movimento apartidário. Entre os signatários iniciais do documento estão o jurista Helio Bicudo, o historiador Marco Antonio Villa, o poeta Ferreira Gullar, os atores Carlos Vereza e Mauro Mendonça, os professores José Arthur Gianotti e Leôncio Martins Rodrigues e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso.


Abaixo, segue a íntegra do documento. Um bom exercício é confrontar o seu conteúdo com o manifesto que o PT e sindicalistas estão divulgando contra a liberdade de imprensa. De um lado, a civilização democrática; de outro, o flerte bom a barbárie ditatorial.


Leiam e divulgue. Creio que o documento será tornado público para receber adesões:
Do Blog do Reinaldo Azevedo






MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.

Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.


Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.


É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.


É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.


É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.


É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.


É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.


É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.


É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.


É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.


Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.


Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.


Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Vamos errar de novo? (Ferreira Gullar)

Ferreira Gullar
Folha de São Paulo, domingo, 05 de setembro de 2010
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0509201029.htm

...programa de governo o PT nunca teve.


Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio... e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.


...Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.


A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública.
...Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.


O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada - Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Jornada do Herói: Joseph Campbell, vida e obra (Editora Ágora)

"Se trabalharmos de acordo com nossas próprias descobertas,
com nossa própria realização pessoal,
quem é que vai querer o nosso trabalho?

Bem, podemos nos surpreender...

Quando seguimos a nossa bem-aventurança, e por bem-aventurança
quero dizer o profundo sentimento de se estar no caminho e fazendo
aquilo que nos impele a avançar a partir de nosso próprio ser;
pode não ser divertido, mas é essa a nossa bem-aventurança...

Se seguirmos esse chamado, portas se abrirão onde antes
nem havia portas, onde não sabíamos ser possível haver portas,
e onde não haveria porta para nenhuma outra pessoa.

...E isso envolve um mergulho no local profundo do seu próprio ser."

Joseph Campbell

quinta-feira, 15 de abril de 2010

L.I.V.R.O.

http://www.youtube.com/watch?v=iwPj0qgvfIs&feature=player_embedded

Existe entre nós, muito utilizado, mas que vem perdendo prestígio por falta de propaganda dirigida, e comentários cultos, embora seja superior a qualquer outro meio de divulgação, educação e divertimento, um revolucionário conceito de tecnologia de informação.
Chama-se de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas – L.I.V.R.O.

L.I.V.R.O. que, em sua forma atual, vem sendo utilizado há mais de quinhentos anos, representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, nem pilhas. Não necessita ser conectado a nada, ligado a coisa alguma. É tão fácil de usar que qualquer criança pode operá-lo. Basta abri-lo!

Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de folhas numeradas, feitas de papel (atualmente reciclável), que podem armazenar milhares, e até milhões, de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantém permanentemente em seqüência correta. Com recurso do TPO – Tecnologia do Papel Opaco – os fabricantes de L.I.V.R.O.S podem usar as duas faces (páginas) da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os custos à metade!

Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para fazer L.I.V.R.O.S com mais informações, basta usar mais folhas. Isso porém os torna mais grossos e mais difíceis de ser transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema, visivelmente influenciados pela nanoestupidez.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, no próprio cérebro, sem qualquer formatação especial. Lembramos apenas que, quanto maior e mais complexa a informação a ser absorvida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.

Vantagem imbatível do aparelho é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite acesso instantâneo à próxima página. E a leitura do L.I.V.R.O. pode ser retomada a qualquer momento, bastando abri-lo. Nunca apresenta "ERRO FATAL DE SENHA", nem precisa ser reinicializado. Só fica estragado ou até mesmo inutilizável quando atingido por líquido. Caso caia no mar, por exemplo. Acontecimento raríssimo, que só acontece em caso de naufrágio.

O comando adicional moderno chamado ÍNDICE REMISSIVO, muito ajudado em sua confecção pelos computadores (L.I.V.R.O. se utiliza de toda tecnologia adicional), permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder na busca com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com esse FOFO (softer) instalado.

Um acessório opcional, o marcador de páginas, permite também que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou tipo de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Todo L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso o usuário deseje manter selecionados múltiplos trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com a metade do número de páginas do L.I.V.R.O.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O., por meio de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada – L.A.P.I.S.

Elegante, durável e barato, L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro, como já foi de todo o passado ocidental. São milhões de títulos e formas que anualmente programadores (editores) põem à disposição do público utilizando essa plataforma.

E, uma característica de suprema importância: L.I.V.R.O. não enguiça!

http://veja.abril.com.br/061206/millor.html

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PRIMEIROS CANTOS (PRÓLOGO)

Gonçalves Dias

Dei o nome de Primeiros Cantos às poesias que agora publico,
porque espero que não serão as últimas.
Muitas delas não têm uniformidade nas estrofes, porque

menosprezo regras de mera convenção; adotei todos os ritmos
da metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram
quadrar melhor com o que eu pretendia exprimir.

Não têm unidade de pensamento entre si, porque foram compostas

em épocas diversas - debaixo de céu diverso - e sob a influência de
impressões momentâneas. Foram compostas nas margens viçosas
do Mondego e nos píncaros enegrecidos do Gerez - no Doiro e no Teia -
sobre as vagas do Atlântico, e nas florestas virgens da América.
Escrevi-as para mim, e não para os outros; contentar-me-ei,
se agradarem; e se não... é sempre certo que tive o prazer de
as ter composto.

Com a vida isolada que vivo, gosto de afastar os olhos de
sobre a nossa arena política para ler em minha alma,
reduzindo à linguagem harmoniosa e cadente o pensamento
que me vem de improviso, e as idéias que em mim desperta
a vista de uma paisagem ou do oceano - o aspecto enfim
da natureza. Casar assim o pensamento com o sentimento -
o coração com o entendimento - a idéia com a paixão -
cobrir tudo isto com a imaginação, fundir tudo isto com a
vida e com a natureza, purificar tudo com o sentimento da
religião e da divindade, eis a Poesia - a Poesia grande e
santa - a Poesia como eu a compreendo sem a poder definir,
como eu a sinto sem a poder traduzir.


O esforço - ainda vão - para chegar a tal resultado é sempre digno
de louvor; talvez seja este o só merecimento deste volume.
O Público o julgará; tanto melhor se ele o despreza, porque o Autor

interessa em acabar com essa vida desgraçada, que se diz de Poeta.

Rio de Janeiro, julho de 1846.

sábado, 2 de maio de 2009

"Não é possível dar google em tudo"

"Não é possível dar um google em tudo
e achar que assim se está informado.
A internet está cheia de lixo".
Gay Talese


Ao lado do cientista Richard Dawkins, Talese é um dos principais
destaques da Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece
de 1º a 5 de julho. Desde os anos 50, está na ativa e é um dos
expoentes do chamado "new journalism" -não-ficção apresentada
com vestimenta literária. É autor de clássicos do gênero, como
"A Mulher do Próximo" (2002), e "O Reino e o Poder" (2000).
Atuou no "New York Times", na "Esquire" e em outras publicações.

Agora, o jornalista tem "Vida de Escritor", livro de 2006,
lançado no Brasil. A obra traz histórias sobre como algumas
de suas reportagens foram feitas, sua busca por inspiração
e sugere elementos em comum a grande parte delas.


Da Folha de São Paulo, em 02/05/2009

sábado, 11 de abril de 2009

Frases de Joseph Campbell

O privilégio de toda uma vida é ser aquele que nascemos para ser.

Siga a sua bem-aventurança, lá onde há um profundo sentido do seu ser, lá onde seu corpo e sua alma querem ir.

Encontre a paixão da sua vida e siga-a, siga o caminho que não é caminho.

Quando tiver essa sensação, fique aí e não deixe ninguém arrancá-lo desse lugar. E portas se abrirão onde antes não havia portas e você sequer imaginava que pudesse haver.

domingo, 15 de março de 2009

Trecho de entrevista de Joseph Campbell

"Quando não se tem emprego, ou então alguém que diga o que se deve fazer, é preciso fixar um horário para si mesmo. Dividi o dia em quatro períodos de quatro horas. Em cada um deles eu passava três horas lendo e dispondo de tempo livre na hora seguinte.

Eu lia o que queria, e um livro me levava ao seguinte. Foi a forma que encontrei para me disciplinar. Tenho sugerido isso a muitos dos meus alunos. Quando você encontrar um escritor que realmente estiver dizendo algo a você, leia tudo o que ele tiver escrito. Assim você estará adquirindo instrução maior e aprofundando seus conhecimentos, em vez de ficar lendo apenas um pouco disso e daquilo.

Procure então quais foram as pessoas que influenciaram esse escritor, ou que estavam relacionadas a ele, e o seu próprio mundo vai se construindo de maneira orgânica, que é realmente maravilhosa. Ao passo que, do jeito que essas coisas são normalmente ensinadas na faculdade e nas escolas, elas constituem apenas um exemplo do que este ou aquele escreveu, e o que exigem é que você se interesse mais pela data de publicação dos sonetos de Keats do que pelo seu conteúdo.

Lembro-me de que não havia ninguém que pudesse me dizer o que eu deveria ler e foi assim que comecei a juntar essas coisas....
Eu não precisei escrever uma tese. Não precisei escrever nada. Tudo o que eu fazia era sublinhar sentenças e tomar notas. É engraçado, passei cerca de quarenta anos tomando notas - tenho catorze gavetas cheias de arquivos com anotações - e agora não mexo mais nelas. A coisa me vem dessa maneira.

Portanto, quando não se tem emprego e está lendo por conta própria, vão surgindo questões psicológicas profundas. Tão profundas quanto as de um garotinho... Então, uma coisa engraçada aconteceu quando assumi o cargo (de professor numa faculdade) - todos os meus problemas psicológicos literalmente desapareceram."

A jornada do herói: Joseph Campbell - Vida e obra
Editora Ágora

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Dois solteiros em Noronha

Carnaval de 2009!
Dois solteiros em Fernando de Noronha.
Idade média da dupla: 26 anos.

Praias e mergulho.
Mais do que peixes,
duas sereias querem encontrar.

Idade média, 26.
Meu filho tem onze.
Eu, quarenta e um.


Chico Pereira

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Robert Happé

Depoimento de Robert Happé
Autor de "Consciência é a Resposta"
(Clique acima para ver o vídeo)

Robert Happé nasceu em Amsterdã, Holanda. Estudou religiões e filosofias na Europa e dedicou-se desde então a descobrir o significado da vida. Estudou também Vedanta, Budismo e Taoísmo no Oriente durante 14 anos, tendo vivido e trabalhado com nativos de diferentes culturas de cada região onde esteve - Índia, Tibet, Camboja e Taiwan.

Em seu retorno à Europa, sentiu necessidade de compartilhar o conhecimento adquirido e suas experiências de consciência. A partir daí, trabalhou em várias universidades, e tem trabalhado continuamente com grupos de pessoas interessadas em autoconhecimento e desenvolvimento de seus próprios potenciais como seres criadores.

Desde 1987 vem compartilhando informações em forma de seminários e workshops em países da Europa, na África do Sul, nos EUA, na Austrália, e no Brasil.

Seu trabalho é independente, estando desvinculado, sob todo e qualquer aspecto, de organizações religiosas, seitas, cultos e outros grupos.

http://www.roberthappe.net/

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

"A verdadeira grandeza de um homem reside

na consciência de um propósito honesto na vida,

alicerçado numa estimativa justa de sua pessoa e de tudo o mais;

num freqüente auto exame,

numa firme obediência às regras por ele tidas como certas,

sem perturbar-se com o que os outros possam vir a pensar ou dizer,

ou com fazerem elas, ou não, aquilo que ele pensa, diz e faz."



Marco Aurélio

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

"Uma das coisas mais difíceis que você vai ter de fazer
- e deveria ser a mais simples- é ser você,
descobrir quem você é e o que tem para partilhar.
E depois dedicar-se ao processo de se desenvolver,
de modo que possa dar isso a todos os outros,
pois esse é o único motivo no mundo para ter alguma coisa."

"Quando você morrer e for ter com o seu Criador,
não vão lhe perguntar por que não se tornou um messias
ou descobriu a cura do câncer.
Só vão lhe perguntar por que você não se tornou VOCÊ?
Por que não se tornou TUDO o que É?"


"O importante é sacrificar aquilo que somos
para ser aquilo que podemos vir a ser."
Charles Dubois

sábado, 8 de novembro de 2008

DEUS É UMA QUESTÃO DE FÉ

Deus é uma questão de fé.
A ciência não pode provar que Ele existe, nem que não existe.
Grandes teólogos, filósofos, místicos e cientistas não chegaram
a uma prova conclusiva de que Deus existE ou não.

Deus é como o Amor.
A ciência pode provar as reações bioquimicas no cérebro
e no organismo de quem sente amor, mas não pode
PROVAR QUE O AMOR EXISTE.

Eu vejo o AMOR assim como DEUS: alguns sentem, outros não.
Eu vejo DEUS assim como o AMOR: alguns acreditam, outros não.

Gosto da expressão "A Energia que alguns chamam Deus",
porque acho que atende a ateus e crentes.

Quando Jung foi perguntado por um repórter da BBC
se acreditava em Deus, respondeu:
-Eu sei!

Chico Pereira

sábado, 4 de outubro de 2008

Não se fala como se escreve

Língua escrita e oral


Alfredina Nery


"Português é fácil de aprender porque é uma língua que se escreve exatamente como se fala."



Pois é. U purtuguêis é muinto fáciu di aprender, purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im purtuguêis não. É só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muinto diferenti. Qui bom qui a minha língua é u purtuguêis. Quem soubé falá sabi iscrevê.



O comentário é do humorista Jô Soares, para a revista Veja. Ele brinca com a diferença entre o português falado e escrito. Na verdade, em todas as línguas, as pessoas falam de um jeito e escrevem de outro. A fala e a escrita são duas modalidades diferentes da língua e é com esse fato que o Jô brincou.





Alfredina Nery - Professora universitária, consultora pedagógica e docente de cursos de formação continuada para professores na área de língua/linguagem/leitura.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sobre a Vírgula

Campanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

terça-feira, 29 de julho de 2008

"Com o que sei

posso escrever um livro.

Com o que não sei

pode-se escrever uma biblioteca."



Anônimo

sábado, 31 de maio de 2008

Um dia olhei por dentro do meu olhar.

No primeiro instante estava tudo escuro e silencioso.

Mas pouco depois pude ver...

e encontrei alguém lá dentro do olhar.



Alguém que ali vivia sem ter seu nome na carteira de identidade.

Alguém que apesar da experiência sente-se como um ser novo a cada dia,

descobrindo coisas, aprendendo na dor, conhecendo o amor,

explorando a sabedoria de pessoas e livros e olhando tudo

como se fosse a primeira vez.

E se apaixonando por tudo como se fosse à primeira vista.



Lá dentro do olhar vi uma outra eu.

Essa que nem eu mesmo conhecia.

Eu sou ela dentro do olhar.

Ela sou eu, me deixando encontrar.



Anilez Rá

sábado, 24 de maio de 2008

O EDUCADOR (Rubem Alves)

"O estudo da gramática não faz poetas.
O estudo da harmonia não faz compositores.
O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas.
O estudo das "ciências da educação" não faz educadores.
Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem.
O que se pode fazer é ajudá-los a nascer.
Para isso eu falo e escrevo:
para que eles tenham coragem de nascer.

Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer
porque não existe coisa mais importante que educar.
Pela educação o indivíduo se torna mais apto para viver:
aprende a pensar e a resolver os problemas práticos da vida.
Pela educação ele se torna mais sensível e mais rico interiormente,
o que faz dele uma pessoa mais bonita, mais feliz
e mais capaz de conviver com os outros".


Rubem Alves

terça-feira, 15 de abril de 2008

Água da Fonte

A água da fonte

que nunca seca,

mata a minha sede,

refresca o meu corpo,

limpa minha visão,

renova minhas energias.



Mas para se chegar

até essa fonte,

há que se gastar

muito líquido,

principalmente

suor e lágrimas.


Chico Pereira

quinta-feira, 13 de março de 2008

POEMA DO PETRALHA

Nada é perfeito, mas ele é uma completa falha
Enquanto o caráter deforma, a personalidade cisalha

Não tendo o que falar, ainda assim ele gralha
Quanto mais se explica, tanto mais se embaralha

A decência lhe enfada, prefere a bandalha
Não quer andar na linha, por isso chacoalha

Se encontra um justo, incontinente ele atalha
A uns engabela, a outros empalha

Por fora se amarrota, por dentro se enxovalha
Um só já é capaz de entupir a calha

Nas hostes do PT é onde se talha
Deste governo os cargos (e a confiança) coalha

Se o butim é grande, o olho esbugalha
Única coisa fina seria da Receita a malha

Qualquer número ou gênero, a classe é canalha
Mesmo sem honra ou mérito não lhe falta medalha

Quer manter o emprego se lá não trabalha
Mas pra trabalho honesto, não move uma palha

Seu conceito de família são os Irmãos Metralha
ou então a Cosa Nostra do Barba Grisalha

Igual notícia ruim, como praga se espalha.
O petralha poetado. Eis o poema do PeTralha.


Chico Pereira

(Homenagem ao Reinaldo Azevedo)

Há outras rimas que não foram usadas,
mas que nem precisariam de versos,
pois isoladas já dizem muito sobre o petralha:

- achincalha, aparvalha, avacalha, emporcalha, escangalha,
esfrangalha, gentalha, paspalha (ou algo que o equivalha)
e, principalmente esbandalha (torna-se corrompido ou pervertido)

Do poema e dos Petralhas
é apenas um ESBOÇO.
No blog do Tio Rei
entende-se o SENTIDO
de PeTralha e outros MuITOS

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

ONDE A PORCA TORCE O RABO
Affonso Romano de Sant’Anna

Às vezes, leitores escrevem a mim e a outros escritores, perguntando se podem enviar (ou já enviando) seus textos. Em geral, repetem algumas coisas, que retratam o desconforto dessa situação. Primeiro, que carecem da opinião de alguém mais experimentado, que lhes oriente e, em muitos casos, querem saber se devem ou não continuar a escrever.
Nem sempre são jovens, mas pessoas maduras em quem, de repente, a literatura (ou a liberdade de expressão?) aflorou. Faço o possível para responder. Às vezes sugiro a leitura de vários livros, muitos citados em “A sedução da palavra”(Ed. Letraviva), que tem o propósito expresso de orientar iniciantes e repassar experiências literárias. O ideal é que houvesse uma “clínica de textos”, que acolhesse essa demanda profissionalmente, porque nenhum escritor tem disponibilidade para esse árduo e delicadíssimo trabalho. Seria um trabalho de consultoria, como qualquer outro, com hora marcada, tabela de preço, para dar logo mais seriedade à atividade.

Alguns pedem logo uma orelha ou prefácio, caso o livro seja do agrado. Isto também é complicado. O solicitante tem a ilusão que uma apresentação vai lhe abrir as portas. Não vai. Só vai se o livro for bom mesmo. Neste caso nem precisa de orelha ou prefácio para se impor. Claro, há autores que elogiam todo e qualquer livro, por generosidade ou por não quererem magoar as pessoas.
Quando o autor pergunta se deve continuar ou não a escrever, digo que esta é uma questão que ele, e não outros, deve responder. Dá vontade de lembrar aquele conselho de Rilke ao jovem poeta, que se escrever não for uma necessidade vital, então é mesmo melhor parar e ir cantar noutra freguesia.

Às vezes, os que pedem tal opinião estão num estágio pré-literário. Escrevem só de ouvido. Repetem lugares comuns. Não sabem nem o que é lugar comum ou como lidar com ele. Não estão a par da história literária, dos movimentos que se sucederam, dos diferentes estilos e técnicas. Não são nem sequer leitores, bons leitores, aqueles que convivem e assimilam os grandes e pequenos autores. Pensam que escrevem, mas estão sendo escritos por uma linguagem que já existe. Desconhecem que o escritor é aquele que ocupa um lugar na linguagem. O texto está entre o prosaico de certas letras banais de música e simples (ainda que legítimas) anotações emocionais. Nesses casos não há muito ou nada que fazer. (O mesmo se dá com quem resolve pintar, fazer teatro, música ou o que seja de artístico, movido por impulsos superficiais e descomprometidos).

Mas o caso mais difícil é daqueles que têm realmente talento e já se expressam de uma maneira mais madura e pessoal. Não vamos encontrar em seus trabalhos falhas primárias. Já têm leitura. Conhecem alguns clássicos de ontem e de hoje. Não são incautos. Estão numa situação que é grave e delicada, estão na borda de alguma coisa que pode, ou não, acontecer. Ou seja, podem ou não virar socialmente artistas.

E é aqui que a porca torce o rabo.

Tirando de lado as pessoas que realmente não têm talento, há outras que são capazes de produzir uma pintura ou escultura correta, até com certa inventividade. Pessoas que são capazes de produzir um ou mais contos interessantes, mesmo um romance. Pessoas que podem produzir uma ou outra música que nos diz alguma coisa. E assim por diante, uma peça de teatro ou, cinematograficamente, um curta ou longa. Pessoas, enfim, que podem produzir alguns bons poemas.
Até diria que uma coisa é estar artista e outra é ser artista. Pode uma pessoa numa determinada circunstância ou período de sua vida, eventualmente, estar em condições tais que suas emoções se precipitem em determinadas formas de expressão. É como se tivesse se conectado com forças e energias que a ultrapassam e a resgatam.

Mas uma coisa é a capacidade de fazer algo razoavelmente bem feito num determinado instante. Outra é comprometer-se com um projeto onde vida-e-obra se confundem. É como se tivéssemos achado umas pepitas de ouro na superfície de um terreno. Mas a riqueza está no fundo e exige paciência, técnica e aprofundamento. E é aqui que muitos embatucam, porque achavam que bastava balançar a árvore dourada e os frutos cairiam aos seus pés de Midas.
Ao contrário, daqui para frente é que o desafio vai começar. Agora é que há que atravessar o deserto por quarenta anos e cultivá-lo “como um pomar às avessas”. É como se alguém tivesse as ferramentas, alguns tijolos e pedras: resta uma construção por fazer. Cadê o projeto? E a construção é aquilo que se constrói enquanto se constrói. Sendo a obra de arte, segundo Joyce, uma obra-em-progresso, como diria o nosso Rosa, é travessia.

Por isto, as pessoas que têm alguns dos atributos necessários para se tornarem artistas, num determinado instante encontram-se naquela situação que a antropologia chama de situações limites. Há um ritual a cumprir para se passar de um estágio a outro. Ultrapassar essa linha divisória entre o amadorismo e o profissionalismo, entre o episódico e o sistemático, entre o aleatório e um projeto estético-existencial, eis o desafio. E nisto, de novo, há uma pesada solidão. Solidão dificil de ser compartilhada. Tenho dito a algumas dessas pessoas que surpreendi na soleira desse rito de iniciação: agora depende de você. De você e de uma série de fatores aleatórios. Pois assim como o criador tem que cavar no escuro de si mesmo a sua pretensa riqueza, entrar no sistema literário e artístico é entrar numa selva escura. Talentos podem se perder, ou terem seu percurso mutilado, enquanto outros são espantosamente superestimados.

O artista autêntico, no entanto, tem a coragem e a audácia de abrir e povoar uma clareira ou receber esse raio na cara, não apenas eventualmente, mas a todo instante. Mas isto é altamente perigoso. Diante dessa situação, alguns entram em pânico e se demitem. Abrir-se à arte é dar um salto mortal no escuro, para que todos vejam.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

MEDITAÇÕES DE LOUISE L. HAY

PENSAMENTOS CONSTRUTIVOS

Meu diálogo interior é sereno e cordial

Tenho um papel só meu para desempenhar neste mundo
e ao nascer trouxe comigo todos os instrumentos
para ser bem-sucedido nessa tarefa.
Os pensamentos que tenho e as palavras que falo
são ferramentas poderosas.
Eu as emprego quando necessário
e os eventos que produzem são para mim
motivo de grande alegria.
Meditação, preces ou apenas dez minutos de afirmações positivas
ao começar o dia criam maravilhas em minha vida.
Os resultados são ainda melhores
quando ajo com coerência o dia inteiro,
lembrando-me que os pensamentos que tenho
de segundo a segundo estão moldando minha vida.
O ponto de poder, o lugar de minha vida a partir do qual
posso iniciar qualquer mudança para melhor,
fica no aqui e agora.
Assim, nem que seja por um átimo de segundo,
conscientizo-me do pensamento que estou tendo
neste exato momento e depois me pergunto:
"Quero mesmo que esse pensamento crie meu futuro?"



PENSAMENTOS

Meus pensamentos são meus melhores amigos

Eu costumava temer meus pensamentos porque eles me incomodavam
e eu acreditava que não tinha controle sobre eles.
Então aprendi que meu modo de pensar criava minhas experiências
e que eu podia escolher ter pensamentos serenos e construtivos.
Conforme fui aprendendo a controlá-los
e dirigi-los delicadamente para onde me interessava,
minha vida começou a mudar para melhor.
Agora tenho plena consciência de que
sou o único que pensa no interior de minha mente
e que cabe a mim escolher meus pensamentos.
Quando surge um pensamento negativo,
não lhe dou importância,
deixo que passe como uma nuvem num céu de verão.
Escolho me desapegar de todos os pensamentos
de ressentimento, vergonha e culpa
e ter pensamentos de amor, paz, alegria e tranquilidade,
que me ajudarão a transformar minha vida e todo o planeta.
Meus pensamentos se tornaram meus amigos
e me sinto feliz com eles.


Do livro
Meditações para curar sua vida

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

No Direction Home

Eu pensava em sair pelo mundo e encontrar
uma jornada de retorno para algum lugar.

Eu tentava encontrar aquele lar
que deixei há muito tempo
e não conseguia lembrar exatamente onde era,
mas eu estava a caminho.

E depois de tudo com que me deparei
pelo caminho, percebi tudo.
Eu não tinha nenhuma ambição.

Nasci muito distante de onde eu deveria estar,
então estou voltando para casa, entende?

Bob Dylan
(Abertura do DVD No Direction Home)




"Não devemos deixar de explorar.
E o final de toda nossa exploração
será chegar aonde começamos
e conhecer esse lugar pela primeira vez."

T. S. Eliot

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

A IDADE DE SER FELIZ

(Geraldo Eustáquio de Souza)

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa,
em que se pode sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los,
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encontrar com a vida
e viver apaixonadamente
com o entusiasmo dos amantes
e a coragem dos aventureiros.

Fase dourada em que se pode criar e criar a vida
à imagem e semelhança dos nossos desejos,
e sorrir, cantar , dançar e vestir-se com todas as cores,
experimentar todos os sabores,
desfrutar de tudo com toda a intensidade,
sem preconceito nem pudor.

Tempo em que cada limitação humana
é só um convite ao crescimento,
um desafio a lutar com toda a energia
e a tentar algo novo,
de novo e de novo e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão especial e tão única,
chama-se PRESENTE,
e tem apenas a duração do instante que passa...
doce pássaro do aqui e agora,
que quando se dá por ele,
já voou para nunca mais.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

"I Keep Six Honest Serving Men ..."

Rudyard Kipling

I keep six honest serving-men
(They taught me all I knew);
Their names are What and Why and When
And How and Where and Who.
I send them over land and sea,
I send them east and west;
But after they have worked for me,
I give them all a rest.

I let them rest from nine till five,
For I am busy then,
As well as breakfast, lunch, and tea,
For they are hungry men.
But different folk have different views;
I know a person small-
She keeps ten million serving-men,
Who get no rest at all!

She sends'em abroad on her own affairs,
From the second she opens her eyes-
One million Hows, two million Wheres,
And seven million Whys!


The Elephant's Child

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

FRASES SOBRE POESIA

A solidão da poesia e do sonho tira-nos da nossa desoladora solidão.
Albert Bequin


Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas.
Federico Lorca


A poesia não é nem pode ser lógica.
A raiz da poesia assenta precisamente no absurdo.
José Hidalgo


Fazer poesia é confessar-se.
Friedrich Klopstock


Um poema é um mistério cuja chave deve ser procurada pelo leitor.
Stéphane Mallarmé


A poesia é ao mesmo tempo um esconderijo e um altifalante .
Nadine Gordimer


A poesia numa obra é o que faz aparecer o invisível.
Nathalie Sarraute


Para mim, o importante em poesia é a qualidade da eternidade
que um poema poderá deixar em quem o lê sem a ideia de tempo.
Juan Ramón Jiménez


A poesia é o transbordamento espontâneo de sentimentos intensos:
tem a sua origem na emoção recordada num estado de tranquilidade.
William Wordsworth


A poesia é um nexo entre dois mistérios: o do poeta e o do leitor
Dámaso Alonso

sábado, 1 de dezembro de 2007

Porquinho-da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .

— O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.



Manuel Bandeira


http://www.revista.agulha.nom.br/manuelbandeira.html

http://www.releituras.com/mbandeira_bio.asp

http://www.vidaslusofonas.pt/manuel_bandeira.htm

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

TEIA

Guilherme Arantes

Vem
No amor só perde quem não vai
Não conhece nada quem não cai
Na teia
Quem não se incendeia

Vem num beijo pelo menos
Pra eu sentir teu gosto
O teu veneno.
Eu fico sem respiração
Só em pensar o coração dispara

Vem
Pára de fugir, eu digo
Por que desperdiçar tanta beleza

A vida passa num piscar
Vamos sair
Qualquer lugar dá jogo
Se estamos juntos

Pra quê se preocupar
Com o que vão dizer
Que somos
Podemos até durar pra sempre

Só posso prometer
Que enquanto houver lugar
Pros sonhos
Podemos até durar...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A frase mais importante

Não é que acordei com vontade de escrever?!

Levantei na madrugada e cheguei a enviar um e-mail
pra alguém especial sobre quem falarei no final.
Voltei pra cama pra dormir e escutava um CD
quando tive uns pensamentos e, de novo,
aquela vontade irresistível de levantar e escrever.
Vamos ao texto, então!


Na Bíblia está escrito: Ama teu próximo como a ti mesmo.
Considero esta a frase mais importante da Bíblia.
Acho que o mundo seria melhor se muitos dos que procuram
ler e entender a bíblia inteira - o que já é dificílimo
pelo tamanho,complexidade do texto e pela linguagem
muitas vezes confusa e até contraditória -
procurassem entender e viver esta única frase.

Observo que esta frase tem três pontos importantes:
1) Ama teu próximo - o ponto de chegada;
2) Ama a ti mesmo - o ponto de partida; e
3) Como - o comparativo e elemento de ligação.

A frase poderia ser apenas "Ama o teu próximo"ou "Ama a ti mesmo",
mas isso mudaria todo o sentido da frase original.

"Ama o teu próximo" pode significar um amor abnegado,
como Madre Teresa de Calcutá, que vivia para os outros,
mas há muitos que tentam ou parecem viver essa frase,
mas na verdade padecem de amor próprio, não se acham
dignos e merecedores de amor, são muito carentes e precisam ajudar,
nem que seja pra ouvir um "Muito obrigado"no final,
que lhe daria algum significado e importância.

"Ama a ti mesmo" é necessário e fundamental.
O problema esta em "amar SO a ti mesmo", um amor egoísta.
Esse o ponto de partida, mas quando é também o ponto de chegada
é como se não houvesse saído do lugar.
Ha muitos que vivem só para si mesmos
e encontram um vazio no final.

Se é para amar "como",
significa amar "da mesma forma",
"tanto quanto", "nem mais, nem menos".


Sendo muito sincero, eu estou mais para o inicio,
procurando amar mais a mim mesmo e, a partir dai,
poder amar aos outros e também
tentar mostrar-lhes como amar a si mesmos.

Agora quero dar ênfase numa palavrinha especial: o próximo.
Há um próximo pequenino e uma próxima menorzinha ainda
que já são muito amados por mim.

Mas há uma próxima que já e maiorzinha, mas nem tão grande assim,
a quem eu não dei o amor que deveria, e ela agora está relutante
em receber o amor que posso e desejo dar.

Ta vendo, Minha Musa?
Você continua sendo minha inspiração.


(Chico Pereira)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Sobre meditação

Resumo de algumas mensagens que enviei para Igor (no Orkut)
uma semana antes de criar este blog (inicio de outubro de 2006):

"Na meditação que pratico vc está sempre consciente.
Alguns chamam de conversar com o Deus interior,
escutar a nossa própria sabedoria, escutar a intuição.
Pode chamar também de conversar com seu Anjo.

Enfim, a meditação de que falo é para quem quer
viver melhor nesse mundo, e não, sair dele.

Volto a lembrar que qualquer coisa que eu escreva
é um resumo do que li, do que pensei e do que escutei
de algumas pessoas que me orientam.
Qualquer coisa que eu venha a dizer é apenas
'o que eu entendi, o que acredito, como eu vejo, ok?'.

Não sou o dono da verdade. Aliás, a verdade não tem dono.
A verdade simplesmente É. Quem for sábio, que a use.
Se fizer sentido pra vc, ótimo. USE!
Se não faz sentido, deixe de lado.

Acho que voce só deve usar se realmente acreditar,
se receber como se estivesse lembrando de algo
que voce já soubesse.

Quando você se tornar o que É, alcançará o que QUER.

Quando você tiver prática na meditação,
perceberá que pode meditar o dia inteiro naturalmente.
Não há esforço algum. Tudo acontece de forma natural.
Você não entra em meditação. Apenas permanece nela.
Ou volta a ela, quando percebe que havia 'se distraído'.
Os pensamentos apenas vêm, como esse que tive agora há pouco,
enquanto escrevia, sobre 'o que é e o que quer'.

Você tem alguma planta ou animal em casa?
Ela (ou ele) cresce naturalmente, mas ha algumas atitudes que
voce pode e precisa tomar todos os dias para que ele/ela
se desenvolva da melhor maneira.
Tome conta do que é seu!"


Estou voltando a praticar meditação e espero (em breve)
voltar a escrever e publicar textos e poemas ...


segunda-feira, 5 de novembro de 2007

"Sê o que tu és,
pois se fores o que não és
não serás o que és."

"A verdade é uma só

e os sábios falam dela sob vários nomes."

"O privilégio de toda uma vida é

sermos o que nascemos pra ser."

"A vontade de ser o seu próprio ser é heroísmo."
Ortega y Gasset

"Uma vida bem vivida deveria aparecer,

em retrospectiva,
como se fosse um romance bem escrito."
Schonpenhauer

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Quem sou eu?

Talvez saibamos algum dia,

talvez não.

Nesse meio tempo, entretanto,

como diz Santo Agostinho,

minha alma arde

porque quero saber."



Jorge Luis Borges

domingo, 30 de setembro de 2007

Representantes de mentira

Folha de São Paulo, domingo, 30 de setembro de 2007
JANIO DE FREITAS



É deliberada mentira que exista e que seja democrática a representação do povo e dos Estados pelos parlamentares

A CONDENAÇÃO da Câmara e do Senado, merecedores da confiança de apenas 12,5% e 14,6% da população, respectivamente, como concluiu pesquisa promovida pela Associação dos Magistrados Brasileiros, não atesta só a progressiva deterioração do Poder Legislativo. Evidencia já uma situação crítica, incapaz de sobreviver por muito tempo sem conseqüências, se não for combatida com providências verdadeiras. Não há caso de degenerescência assim, em alicerces institucionais, que não tenha levado a problemas extremados, às vezes por faíscas mínimas.O sistema que elege deputados e senadores é uma fraude contra o eleitorado. É deliberada mentira, no regime e na legislação do Brasil, que exista e que seja democrática a representação do povo e dos Estados pelos parlamentares. Fraude e mentira cujo fim é indispensável, como preliminar, para deter a degradação institucional e política.A composição da Câmara só terá o sentido de representação quando obedecer à ordem quantitativa dos votos dados, em cada Estado, aos candidatos. O sistema dos "candidatos puxadores" de votos é uma fábrica de aberrações. Indústria de picaretagem eleitoral que permite, em um dos poucos exemplos divulgados, a eleição a deputado federal de uma candidata com ridículos 200 votos no maior eleitorado do país, São Paulo. Sem sobrenome identificado, prenome adotado para as circunstâncias, candidata paulista mas moradora no Rio, foi eleita pelos votos excedentes do seu correligionário Doutor Enéas, em relação ao coeficiente estabelecido. Candidatos com dez vezes ou ainda mais votos não foram para a Câmara. Entre eles e a amiga do Enéas, a mentira da "representação democrática" excluiu os mais votados. Caso único? Ou raro?Assim é a composição da Câmara: nem 10% dos seus integrantes foram eleitos por conta própria. Em seus respectivos Estados, candidatos com maior número de votos, e portanto com maior representação do eleitorado, ficaram de fora em favor de beneficiados pelo cômputo segundo coeficientes partidários. É a vontade eleitoral adulterada; e, claro, a representação que não existe na Câmara.Eleitos de fato e representantes potenciais só podem ser os que tenham mais votos em cada colégio eleitoral, e essa é a maneira de compor uma Câmara sem fraudar o espírito democrático da eleição e das instituições. Por isso mesmo, não é menos aberrante e fraudulenta a existência de suplente de senador, um "eleito" sem voto e, com muita freqüência, parte da tal picaretagem eleitoral (o suplente paga a campanha do candidato, que, apesar disso, arrecada e embolsa altas contribuições: é comum o suplente ser um bom negócio do efetivo). Com ou sem picaretagem eleitoral, o suplente levado ao exercício no Senado, por estar o efetivo no governo ou de licença, não recebeu representação do eleitorado, logo, existe por absurdo legal mas é ilegítimo. Outra fraude da "representação democrática".A primeira corrupção de parlamentares a ser eliminada deve ser a que tem o governo como corruptor. A compra de adesão à tal "base governista", uma ficção que varia conforme as cobranças e pagamentos sucessivos, é corrupção institucionalizada. Está nos jornais, está na TV, como algo feio e reprovável, porém aceito e liberado para continuar. Com freqüência, no entanto, não lhe faltam os aspectos de crime de extorsão, de chantagem, e de corrupção nem se fala.Existe solução, sim, a começar de algo que a lei exige para nada: o programa registrado por cada partido. Ou há obrigação de cumprir seus princípios, em vez de seguir o compra-e-venda aleatório, ou a lei que o exige está em vigor para encobrir corrupção política. O respeito à lei exigente de programas não impediria adesões a outros princípios e programas, bastando sua aprovação em convenções. Ou seja, do partido, e não de grupelhos dirigentes envolvidos no mesmo compra-e-venda.A outra fonte da relação corrupta entre governo e Congresso são as emendas parlamentares ao Orçamento, pelas quais deputados e senadores tornam-se donos individuais de certas verbas e sua destinação. Medidas que impeçam ou reduzam muito o uso da liberação dessas verbas, como moeda de compra de adesão ou de voto pelo governo, são simples e de várias formas possíveis. Um teto, por exemplo, no valor total das emendas individuais, com liberação obrigatória, elimina o compra-e-venda sem perturbar as contas públicas.Nenhuma solução deve ser esperada da Câmara e do Senado, ou não seriam incapazes de merecer um mínimo da confiança de 87,5% e 85,4% da população jovem/adulta. Mas se os que compõem esses percentuais alarmantes não gerarem esforços de mudança, passemos todos a discutir outro assunto: quando e que conseqüências virão, por certo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

FRASES SOBRE ESCRITORES

"O escritor original não é aquele que não imita ninguém ,

mas sim aquele que ninguém pode imitar."

(François René)



"Não se é escritor por ter escolhido dizer certas coisas,

mas sim pela forma como as dizemos."

(Jean-Paul Sartre)





"A maior parte do tempo de um escritor é passado na leitura,

para depois escrever;


uma pessoa revira metade de uma biblioteca

para fazer um só livro."

(Samuel Johnson)


"Escritores, meditem muito e corrijam pouco.

Fazei as vossas rasuras no vosso próprio cérebro."

(Victor Hugo)



"O mais belo triunfo do escritor é fazer pensar


os que podem pensar."

(Eugène Delacroix)



"Escritor: não somente uma certa maneira especial


de ver as coisas, senão também uma impossibilidade

de as ver de qualquer outra maneira."

(Carlos Drummond de Andrade)



"As duas coisas mais envolventes de um escritor são

tornar familiares as coisas novas


e tornar novas as coisas familiares."

(Samuel Johnson)




"Todo escritor que é original é diferente.

Mas nem todo o que é diferente é original.

A originalidade vem de dentro para fora.

A diferença é ao contrário.

A diferença vê-se, a originalidade sente-se.

Assim, uma é fácil e a outra é difícil."

(Vergílio António Ferreira)



"O grande escritor não precisa ser nem muito inteligente


nem muito culto.

A inteligência e a cultura são contudo indispensáveis


nos escritores menores."

(Lêdo Ivo)





"Os grandes escritores nunca foram feitos

para se submeter à lei dos gramáticos,


mas para imporem a sua."

(Paul Claudel)





"Somos todos escritores,

só que alguns escrevem e outros não."

(José Saramago)

domingo, 26 de agosto de 2007

FRASES SOBRE POESIA

"Poesia é quando uma emoção encontra seu pensamento

e o pensamento encontra palavras."

(Robert Frost)



"Eu acredito que a poesia tenha sido uma vocação,

embora não tenha sido uma vocação desenvolvida

conscientemente ou intencionalmente.

Minha motivação foi esta: tentar resolver,

através de versos, problemas existenciais internos.

São problemas de angústia,

incompreensão e inadaptação ao mundo."

(Carlos Drummond de Andrade)



"A poesia é o sentimento que sobra ao coração e sai pela mão."

(Carmen Conde)



"Se alguém te perguntar o que quiseste dizer com um poema,

pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo..."

(Mario Quintana)



"O poeta é uma mentira que sempre diz a verdade."

(Jean Cocteau)



"A poesia é mais fina e mais filosófica do que a história;

porque a poesia expressa o universo,

e a história somente o detalhe."

(Aristóteles)



"A poesia imortaliza tudo o que há de melhor

e de mais belo no mundo."

(Mary Shelley)



"Todo homem é poeta quando está apaixonado."

(Platão)



"O que de melhor existe nos grandes poetas

de todos os países não é o nacionalismo

e sim o universalismo."

(Longfellow)


"Mas o que vou dizer da Poesia?

O que vou dizer destas nuvens, deste céu?

Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais.

Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia.

Isso fica para os críticos e professores.

Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos

o que é a poesia."

(Garcia Lorca)

sábado, 18 de agosto de 2007

O ARCO E A LIRA (OCTAVIO PAZ)

A atividade poética é revolucionária por natureza;
exercício espiritual, é um método de libertação interior.
A poesia revela este mundo; cria outro.
Convite à viagem; regresso à terra natal.
Inspiração, respiração, exercício muscular.
Súplica ao vazio, diálogo com a ausência,
é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero.
Oração, litania, epifania, presença.

...em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos
e o homem adquire, afinal, a consciência de ser
algo mais que passagem.
Experiência, sentimento, emoção, intuição,

pensamento não-dirigido.
Filha do acaso; fruto do cálculo.
Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva.
Obediência às regras; criação de outras.
Imitação dos antigos, cópia do real,

cópia de uma cópia da Idéia.
Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo,
e métricas e rimas são apenas correspondências,
ecos, da harmonia universal.

Ensinamento, moral, exemplo, revelação, dança, diálogo, monólogo.
Voz do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário.
Pura e impura, sagrada e maldita, popular e minoritária,
coletiva e pessoal, nua e vestida, falada, pintada, escrita,
ostenta todas as faces,
embora exista quem afirme que não tem nenhuma:
o poema é uma máscara que oculta o vazio,
bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana!

Como não reconhecer em cada uma dessas fórmulas
o poeta que as justifica e que, ao encarná-las, lhes dá vida?
...nem todo poema - ou, para sermos exatos, nem toda obra

construída sob as leis da métrica - contém poesia.
Por outro lado, há poesia sem poemas;
paisagens, pessoas e fatos podem ser poéticos:

são poesia sem ser poemas.

Pois bem, quando a poesia acontece como
uma condensação do acaso ou é uma cristalização
de poderes e circunstâncias alheios à vontade
criadora do poeta, estamos diante do poético.
Quando - passivo ou ativo, acordado ou sonâmbulo -

o poeta é o fio condutor e transformador da corrente poética,
estamos na presença de algo radicalmente distinto: uma obra.
Um poema é uma obra.

A poesia se polariza, se congrega e se isola num produto humano:
quadro, canção, tragédia. O poético é poesia em estado amorfo;
o poema é criação, poesia que se ergue.
Só no poema a poesia se recolhe e se revela plenamente.
A poesia não é a soma de todos os poemas.
Por si mesma, cada criação poética

é uma unidade auto-suficiente.
A parte é o todo. Cada poema é único, irredutível e irrepetível.

...não é tanto a ciência histórica mas a biografia que poderia
fornecer a chave da compreensão do poema.
Aqui intervém novo obstáculo: dentro da produção de cada poeta,
cada obra também é única, isolada e irredutível.
A história e a biografia podem dar a tonalidade

de um período ou de uma vida,
esboçar as fronteiras de uma obra e descrever, do exterior,
a configuração de um estilo;

também são capazes de esclarecer
o sentido geral de uma tendência e até
desentranhar o porquê e o como de um poema.
Não podem, contudo, dizer o que é um poema
.

Cada poema é um objeto único, criado por uma "técnica"
que morre no instante mesmo da criação.
A chamada "técnica poética" não é transmissível

porque não é feita de receitas,
mas de investigações que só servem para seu criador.
O poeta se alimenta de estilos. Sem eles não haveria poemas.
Os estilos nascem, crescem e morrem.
Os poemas permanecem, e cada um deles constitui
uma unidade auto-suficiente, um exemplar isolado,
que não se repetirá jamais.

A linguagem falada está mais perto da poesia que da prosa;
é menos reflexiva e mais natural, e daí ser mais fácil
ser poeta sem o saber do que prosador.
No poema a linguagem recupera sua originalidade primitiva,
mutilada pela redução que lhe impõem

a prosa e a fala cotidiana.
A reconquista de sua natureza é total e afeta os valores
sonoros e plásticos tanto como os valores significativos.
A palavra, finalmente em liberdade,

mostra todas as suas entranhas,
todos os seus sentidos e alusões,

como um fruto maduro ou como um foguete
no momento de explodir no céu.
O poeta põe em liberdade sua matéria. O prosador aprisiona-a.

Cada poesia é única.
Em cada obra lateja, com maior ou menor intensidade,

toda a poesia.
Portanto, a leitura de um só poema nos revelará,
com maior certeza do que qualquer investigação
histórica ou filológica, o que é a poesia.

Cada leitor procura algo no poema.
E não é insólito que o encontre: já o trazia dentro de si.
O poema é uma possibilidade aberta a todos os homens,
qualquer que seja seu temperamento,

seu ânimo ou sua disposição.
No entanto, e poema não é senão isto: possibilidade,
algo que só se anima ao contato de um leitor ou de um ouvinte.

Há uma característica comum a todos os poemas,
sem a qual nunca seriam poesia: a participação.
Cada vez que o leitor revive realmente o poema,
atinge um estado que podemos,
na verdade,
chamar de poético.
A experiência pode adotar esta ou aquela forma,
mas é sempre um ir além de si,
um romper os muros temporais, para ser outro.


Enquanto o poema se apresenta como uma ordem fechada,
a prosa tende a se manifestar como

uma construção aberta e linear.
Valéry comparou a prosa com a marcha

e a poesia com a dança.
Narrativa ou discurso, história ou demonstração,
a prosa é um desfile,
uma verdadeira teoria de idéias ou fatos.
A figura geométrica que simboliza a prosa é a linha:
reta, sinuosa, espiralada, ziguezagueante,
mas sempre para diante e com uma meta precisa.
Daí que os arquétipos da prosa sejam o discurso e a narrativa,
a especulação e a história.
O poema, pelo contrário, apresenta-se como um círculo
ou uma esfera - algo que se fecha sobre si mesmo,
universo auto-suficiente no qual o fim é também

um princípio que volta, se repete e se recria.
E essa constante repetição e recriação não é senão o ritmo,
maré que vai e que vem, que cai e se levanta.